Licenciatura em Educação do Campo

Coordenador: Prof. Dr. Igor Simoni Homem de Carvalho

Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Roberta Maria Lobo da Silva

 

Os cursos de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) têm como objetivo a formação de docentes para atuação nos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio de escolas do campo. Atualmente, existem 42 cursos de LEC em atividade em diversas Instituições Federais de Ensino Superior em quase todos os estados do Brasil.

A LEC-UFRRJ foi construída inicialmente como um curso piloto, a partir do Edital 23/2009 do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), formando 52 profissionais entre 2010 e 2013. Em seguida, a UFRRJ atendeu ao edital n.02/2012 do Ministério da Educação para regularizar o curso, que passou a ofertar turmas regulares (com entrada semestral) a partir de 2014.

A LEC integra ensino, pesquisa e extensão, sendo ofertadas na modalidade presencial em Regime de Alternância, com dois tempos educativos – Tempo Escola/Universidade (TE) e Tempo Comunidade (TC), nos quais o cursista vivencia a articulação permanente das experiências que ocorrem no interior da Instituição com o trabalho/cotidiano de sua própria comunidade/vivências de campo (práxis pedagógica), devendo realizar Trabalhos Integrados nos quais apresenta seus estudos e reflexões sobre as experiências vividas nesses cenários diferenciados, o protagonismo em sua própria formação, o engajamento nas vivências dos tempos educativos e a participação em seu contexto local, no sentido de transformá-lo socialmente. O curso tem como referências teórico-metodológicas fundamentais a Educação Popular e a Agroecologia.

A carga horária global mínima do curso é de 3.200 horas, devendo haver uma formação específica para docência multidisciplinar em uma das seguintes áreas de conhecimento: linguagens e códigos; ciências da natureza; matemática; ciências agrárias; e ciências humanas. No caso da LEC-UFRRJ, a habilitação é em Ciências Humanas (História e Sociologia), capacitando os profissionais para atuar nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio das Escolas do Campo. Espera-se que os egressos tenham condições também de atuar em diferentes campos profissionais: na carreira acadêmica, no serviço público, em organizações da sociedade civil, na extensão rural, na assessoria aos povos do campo (agricultores familiares, camponeses, tradicionais, indígenas e quilombolas), considerando sempre as Diretrizes Operacionais da Educação do Campo.

Modalidade: presencial, em regime de alternância*

 

Duração do curso: quatro (04) anos (mínimo)

Quantidade de Períodos e distribuição de vagas por período letivo: oito (08) períodos, sendo 40 vagas por período.

Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/groups/241000606106338/

 

 

* Para maiores detalhes sobre a Pedagogia da Alternância e a Educação do Campo em geral, consultar os documentos:

 

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Programa Nacional de Educação do Campo – PRONACAMPO (Documento Orientador). SECADI/DPECIRER/CGPEC. Brasília, janeiro de 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13214-documento-orientador-do-pronacampo-pdf&Itemid=30192

 

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Nota Técnica Conjunta nº 3/2016 – Licenciatura em Educação do Campo. GAB/SECADI/SETEC/SESu, abril de 2016.

 

 

Histórico da Licenciatura em Educação do Campo da UFRRJ

  • Ano de início do curso: 2014 (sendo que, entre 2010 e 2014, tivemos a turma ‘experimental’ da LEC/PRONERA).

– Matrículas iniciais: tivemos, entre 2014 e 2016, 210 matrículas efetuadas, distribuídas em 5 turmas. A estimativa de estudantes matriculados em 2017.1 é de 145. (ATUALIZAR)

  • Número de egressos: 5 até ago/2018.
  • Situação do curso:

– oferta de vagas/novas turmas: Foram realizados processos seletivos em 2014.1, 2014.2, 2015.2, 2016.1, 2016.2, em cada um tendo sido ofertadas 80 vagas. O próximo processo será em 2017.2, com previsão de oferta de 40 vagas. (ATUALIZAR)

– processo seletivo:

O processo seletivo é feito através de: uma prova de conhecimentos gerais com 40 questões objetivas; redação (corrigida por especialistas da UFRRJ); memorial (corrigida pelos docentes do DECAMPD). O memorial permite que a(o) candidata(o) conte, anonimamente, sobre seu histórico de vida e sobre sua experiência e/ou interesse na educação do campo.

– outros procedimentos de ingresso: até o momento, não houve ingresso por outra forma.

 

  • Programas de Apoio aos cursistas (PIBID, PET, PROEXT, Bolsa Permanência, PNAES, Universidade e outros):

Atualmente temos 13 (treze) bolsistas do Programa Especial de Treinamento (PET), sendo oito do PET Educação do Campo e Movimentos Sociais no Estado do Rio de Janeiro (tutor: Ramofly Bicalho) e cinco do PET Etnodesenvolvimento e Educação Diferenciada (tutor: Alexandre Monteiro de Carvalho), dos quais dois são beneficiários também de programa de apoio a estudantes quilombolas. Vale mencionar que o PET Educação do Campo conta também com 06 (seis) estudantes da LEC colaboradores voluntários. (ATUALIZAR)

Temos também 02 (duas) bolsistas de extensão “Horta Escolar Pedagógica” do programa Biext – Programa de Bolsas Institucionais de Extensão, da própria UFRRJ, coordenado pela Profa. Fabiana Dias.  (ATUALIZAR)

O Projeto “Formação Cultural dos Jovens Rurais em Cultura e Comunicação Comunitária”, coordenado pela Profa. Roberta Lobo, teve vigência entre 2014 e 2016 e contou com 04 (quatro) bolsistas da LEC e mais dois (02) monitores Voluntários.  (ATUALIZAR)

Temos ainda 01 (uma) bolsista do projeto “Sala Verde”, do Centro de Integração Sócio-Ambiental (CISA), coordenado pela Profa. Lia Teixeira. (ATUALIZAR)

 

Inovações Pedagógicas dos Cursos

  • Regime da Alternância: Quantos “Tempos Comunidade” e “Tempo Universidade”

Dentre as inovações pedagógicas da LEC-UFRRJ, vale mencionar a adequação da proposta de Pedagogia da Alternância à realidade institucional e regional, e à diversidade de situações vividas pelos estudantes. Assim, procuramos encurtar o período denominado Tempo Comunidade (TC) para ¼ do semestre (1 mês), ficando o Tempo Escola (TE, ou Tempo Universidade) com ¾, na seguinte ordem:

TE (2 meses) + TC (1 mês) + TE (1 mês) = semestre letivo

Dessa forma, oferecemos: um período de 8 semanas de aulas na primeira parte do TE, no intuito de desenvolver adequadamente as disciplinas; um TC onde haja tempo o suficiente para os educandos vivenciarem a diversidade de realidades em que se encontram inseridos – do campo, dos movimentos sociais e das periferias urbanas.

Percebemos, com a entrada de 5 turmas e cerca de 200 estudantes a partir de 2014, que muitos educandos trazem à LEC riquíssimas bagagens, histórias de vida e relações com o campo e com os movimentos sociais. Para uma grande parte, porém, falta ainda experiência com as temáticas vinculadas ao curso. Dessa forma, procuramos adotar o conceito de Vivência [termo utilizado pelo próprio Ministério da Educação em nota sobre as LECs (MEC, 2016)], buscamos assim orientar os TCs e seus resultados diretos, os Trabalhos Integrados. Sem esvaziar o sentido das regionais e seus territórios, o corpo docente do DECAMPD adotou a organização em Grupos Temáticos (GTs), onde professores e estudantes (em média 12 por grupo) se unem por afinidade temática, para desenvolver suas atividades vinculadas ao TC e ao TI.

Importante salientar que estes avanços ainda não estão plenamente consolidados. Sua consolidação depende de trabalho e apoio por parte de toda UFRRJ, MEC e entidades parceiras.

Lembramos que, desde 2002, a Resolução CNE/CBE n°1 instituiu as “Diretrizes Operacionais da Educação Básica para as Escolas do Campo” e, em 2010, a Resolução CNE/CBE n°4 incluiu a Educação do Campo como modalidade da Educação Básica. Em todas essas referências normativas, a flexibilização do calendário escolar e a Pedagogia da Alternância estão indicados para processos escolares para os povos do campo. Dessa forma, a Pedagogia da Alternância como referência básica da LEC envolve: vivência de ensino, pesquisa e extensão de estudantes e educadores em diferentes tempos/espaços (Tempo Escola e Tempo Comunidade); construção interdisciplinar a partir da realização do Trabalho Integrado; e o diálogo de saberes entre conhecimentos acadêmico e tradicional.

Importante mencionar ainda a área de 11 hectares disponibilizada pela UFRRJ à LEC. Nesta área, denominada Sistema Agroflorestal (SAF) da LEC, temos buscado desenvolver aulas ao ar livre e atividades práticas relacionadas ao manejo da terra e das plantas. Aí foram plantadas, nos anos recentes, cerca de 100 mudas de árvores, além de plantas herbáceas e arbustivas, medicinais e alimentícias. A partir da implantação de estrutura básica para nossas atividades (ponto de água, barracão de ferramentas, sistema de irrigação, área coberta), previstas para 2017, teremos condições de incrementar outras inovações pedagógicas nesta área.

 

  • Formação por área do conhecimento/interdisciplinaridade

Os profissionais formados pelo curso de Licenciatura em Educação do Campo estarão capacitados para atuar nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio das Escolas do Campo, em uma grande área de conhecimento: Ciências Sociais e Humanidades (Sociologia e História).

A implementação do curso tem a interdisciplinaridade como fundamento epistemológico básico capaz de materializar a complexidade da construção do conhecimento, articulando docência/pesquisa/extensão. O curso se constitui a partir das referências teórico-metodológicas da Educação Popular e da Educação do Campo. Dessa forma, a LEC compreende, no processo da produção do conhecimento, vinculações entre o saber escolar/acadêmico, as histórias de vida e as memórias de educadores e educandos, bem como uma constante interação entre a teoria e a prática, propondo reflexões interdisciplinares através do instrumento pedagógico do Trabalho Integrado.

A perspectiva de elaboração e realização do Curso da LEC UFRRJ se dá no acúmulo histórico existente e no diálogo entre a produção acadêmica e as experiências dos movimentos sociais e as demandas das secretarias municipais e estaduais de educação, incentivando e fortalecendo a pesquisa, o ensino e a extensão, bem como as políticas públicas da Educação do Campo no Estado do Rio de Janeiro. Este curso está fundamentado nos princípios construídos na luta dos profissionais da educação por uma formação docente substantiva e qualificada, referenciados pela Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE).

Além disso, espera-se que os egressos da LEC-UFRRJ tenham condições de atuar em diferentes campos profissionais: na carreira acadêmica, no serviço público, em organizações da sociedade civil, na extensão rural, levando sempre em consideração o compromisso com as populações do campo e sua educação, descritas nas Diretrizes Operacionais da Educação do Campo.

Portanto, o perfil desejado para os egressos do curso é o de um profissional ligado aos meios acima descritos, capacitados tecnicamente para o universo da agricultura familiar, camponesa, tradicional, indígena e quilombola, e o desejado domínio do campo da agroecologia, possibilitando que o mesmo atue como elemento dinamizador local, bem como um docente apto a relacionar a visão sócio-histórica entre o campo e o urbano, adaptando os conhecimentos de Sociologia e História que norteiam o curso.

 

  • Existe alguma articulação da sua IES com as secretarias de educação (municipal ou estadual)?

Desde o início das articulações pela Educação do Campo na UFRRJ, buscou-se uma articulação junto à Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEDUC-RJ), no âmbito da Coordenadoria da Diversidade e também no âmbito da elaboração do Plano Estadual de Educação.

Atualmente, a LEC-UFRRJ se articula com secretarias de educação de Seropédica, Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Duque de Caxias, entre outras, a partir dos Trabalhos Integrados e dos programas PET–Progr.Educ.Tutorial e BIEXT–Bolsas de Extensão.

A realização do estágio curricular supervisionado obrigatório depende a firmação de convênios entre a UFRRJ e os espaços onde estudantes completarão sua formação. Para realização do estágio nas escolas das redes públicas, o convênio se faz entre prefeituras, secretarias municipais e estaduais de educação e colégios federais.

Para incentivar e propiciar a realização de estágios em escolas do campo, temos mobilizado esforços para a realização de novos convênios, o que depende da aceitação e colaboração dos espaços pretendidos.

Atualmente os estágios dos estudantes da Licenciatura em Educação do Campo vêm sendo realizados na rede municipal de educação de Seropédica e rede estadual de educação do estado do Rio de Janeiro, com estágios cumpridos em escolas localizadas nos municípios de Seropédica, Nova Iguaçu e Queimados. Já temos convênio com município de Paraty, onde existem várias escolas do campo em comunidades caiçaras, quilombos e comunidades rurais. Estamos em vias de firmar convênio com a prefeitura de Angra dos Reis, o que propiciará estágio em escolas quilombolas e outras situadas em ilhas e sertão. Também está em andamento um convênio com o município de Mesquita, na Baixada Fluminense, Cachoeiras de Macacu, na região Serrana e Mimoso do Sul, no Espírito Santo.

Além disso, muitos estudantes se interessam por estagiar no Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, CTUR, que propicia estágio tanto nas disciplinas de História e Sociologia, como nas atividades vinculadas aos cursos técnicos com Meio Ambiente e Agroecologia.

 

– Propostas para sustentabilidade do curso na sua IES

Com o fim do apoio orçamentário do MEC, a UFRRJ, assim como as demais IFES do Brasil, deve “considerar a inclusão do curso de Licenciatura em Educação do Campo na distribuição de recursos para a manutenção e o funcionamento das atividades do curso, previstos na Matriz de Orçamento de Custeio e Capital – OCC”, conforme reiterou Ofício Circular nº 1/2017 (MEC/SECADI, 2017). Assim, estamos dialogando com a Reitoria da UFRRJ no sentido de garantir a continuidade da LEC e do apoio aos nossos estudantes.

Elencamos aqui algumas ações prioritárias para dar sustentabilidade ao nosso curso:

  • Trabalhar na elaboração de ações para permanência dos estudantes das classes populares na Licenciatura em Educação do Campo da UFRRJ, envolvendo o
  • Colegiado da LEC-UFRRJ, o Diretório Acadêmico dos Estudantes e o DECAMPD – Departamento de Educação do Campo, Movimentos Sociais e Diversidade, num estreito diálogo com as demais esferas da UFRRJ;
  • Aproximação com outros cursos da UFRRJ, em especial a Licenciatura em Ciências Agrícolas (LICA);
  • Criação e fortalecimento de espaços educativos no âmbito dos movimentos sociais, secretarias municipais de educação e escolas do campo.
  • Realizar, junto às secretarias municipais de educação e sociedade em geral, ações e campanhas para enfrentar o fechamento das escolas do campo no Estado do Rio de Janeiro;
  • Contribuir, junto às entidades parceiras (Embrapa, movimentos sociais do campo, poder público nos níveis estadual, municipal e federal), para o desenvolvimento de pesquisas que envolvem agroecologia, questões históricas, políticas, econômicas, sociais e culturais da luta por educação do campo no Brasil.