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Oficina em Petrópolis discute as responsabilidades do poder público em desastres climáticos

Postado em 19 de agosto de 2026

Emergência do El Niño preocupa moradores da cidade serrana do Rio de Janeiro.

Professora Flávia Braga apresenta os objetivos do projeto de extensão.

Integrantes do projeto de extensão “Mudança Climática, Políticas Públicas e Participação no Estado do RJ”, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), estiveram em Petrópolis (RJ) no primeiro sábado de agosto para discutir, junto a mobilizadores locais, as responsabilidades do poder público em um desastre climático, tanto na prevenção quanto na mitigação de riscos. Em 2022, a cidade da região serrana do Rio de Janeiro foi atingida por chuvas intensas que vitimaram pessoas e deixaram desaparecidos. Moradores da cidade convivem com o medo de novas ocorrências, especialmente com as consequências do fenômeno climático El Niño.

Naquele ano, os temporais na região central da cidade resultaram em 235 mortos e dois desaparecidos em 15 de fevereiro e, no mês seguinte, mais sete pessoas morreram após outra chuva intensa. O desastre climático foi abordado durante o encontro que faz parte do projeto de extensão realizado por professores, discentes e técnicas do Instituto de Ciências Humanas e Sociais.

Patrícia Quintas, mobilizadora do projeto, esteve no evento e disse que os moradores ainda vivem com “muito medo” de novas tragédias. Residente em Petrópolis, ela conta que não está satisfeita com as ações preventivas tomadas pelo poder público. “A população está apavorada, está todo mundo vendo esta questão climática, principalmente com o El Niño este ano. O governo não se mobiliza, eles esperam acontecer a situação. A gente tem muito medo, como é que eles [o poder público] vão agir quando isso acontecer?”, avalia a moradora.

O projeto da Universidade Rural, além do trabalho em campo, prepara um levantamento de documentos sobre as atuações do poder público nos casos de desastres e no registro de iniciativas populares na resiliência climática. Esta é a segunda oficina realizada pela extensão após uma reunião em junho na região dos lagos. 

O diretor da Famp (Federação de Associações de Moradores de Petrópolis), Tiago Ezequiel, atua em bairros afetados pela tragédia desde 2022. Algumas regiões, segundo o participante do projeto, necessitam de políticas públicas mais eficazes que minimizem os efeitos das mudanças climáticas: “A pesquisa que se inicia na universidade pública pode amenizar problemas futuros. A gente precisa ter conhecimento para saber como agir para mitigar essas questões. É fundamental que hoje, no centro de defesa dos direitos humanos tenha essa oficina sobre mudanças climáticas. Moradia é um direito. A gente precisa de conhecimento para mitigar essas ações do clima“. 

As oficinas em campo potencializam a concepção de uma extensão comprometida, popular e que saia dos muros e marcos da Universidade, segundo Roberto Olimpio, doutorando e bolsista do programa. De acordo com o militante do MAB (Movimento de Atingidos por Barragens), trata-se de uma “oportunidade de misturar saberes, práticas e vivências dos estudantes e professores da UFRRJ e de lideranças e militantes que atuam diretamente nos territórios”.

Estratégias do projeto de extensão

Equipe de projeto em ação na oficina de Petrópolis

A iniciativa da UFRRJ é desenvolvida em três eixos: formação, mobilização e difusão. O terceiro eixo, após a fase de pesquisa documental e o trabalho de campo, será a popularização do conhecimento produzido por meio de uma cartilha digital. Nela, estarão contidas as informações adquiridas durante a atividade dos pesquisadores e mobilizadores, para que os direitos ambientais sejam de domínio e entendimento público.

Após a produção da cartilha, está programado um seminário na UFRRJ para a divulgação dos relatórios do Projeto ao poder público (prefeituras, defesa civil, instituições de justiça, poder legislativo municipal e estadual), organizações da sociedade civil e membros da academia.

A equipe do projeto é composta pelos docentes Flávia Braga Vieira (DCS/ICHS), Luiz Felipe Osório (DDAS/ICHS), Alessandra de Carvalho (DCM/ICHS) e Luiza Oliveira (DCJ/ICHS), além do pós-doutorando, e coordenador da equipe de mobilização, Douglas Almeida (PPGCS/ICHS/UFRRJ) e a técnica administrativa Rosane Reis. 

O grupo de trabalho conta ainda com 10 bolsistas pesquisadores discentes da UFRRJ, selecionados em edital público, sendo dois doutorandos, dois mestrandos e seis graduandos, além de dois doutorandos e um mestrando voluntários. Entre os 50 alunos do curso de extensão, 27 são bolsistas que atuam como mobilizadores nas regiões.

Integrantes do grupo de extensão e mobilizadores da região serrana

Imagens: Kaio Magalhães e João Vitor Madruga, estudantes de jornalismo/bolsistas do projeto Mudança Climática, Políticas Públicas e Participação no Rio de Janeiro

Texto: Kaio Magalhães